terça-feira, 26 de março de 2013

SÓ O (MEU) AMOR ME IMPORTA

Não conto história alheia não, moça. Só sei desenhar as minhas. Só traduzo o que sofri. Só revivo o que sinto, como quando o meu coração desmontou de tão aguado. De tão abatido. Coração fraco. Você me pede que agrupe palavras para narrar o seu amor, mas eu não sei fazer isso não. Ignoro amores além da janela. Esnobo seus ruídos. Amores tontinhos. Só me interessam os corpos que alcancei e os olhares que perdi. Só há beleza quando sobro. Só há palavras quando meus sonhos se despedem de mim. Ou desaparecem sem telefonema, sem post-it na geladeira. A sua história não comove a minha vontade de popular telas em branco, moça. As suas lágrimas sou incapaz de escutar. Meu caderno é egoísta demais para abrigar amores que não me pertencem. Não me odeie não, moça. Mas é que ultimamente a falta dele tomou conta de todas as minhas páginas. E enquanto meus livros deixam de cheirar a livros, porque cheiram a dias com ele, eu não posso falar de você. Só posso rabiscar por mim. Tentar decifrar o que querem as borrachas, que passam à força por cima das minhas paixões, me obrigando a apagar o que vivo e que está bom. A mentir que não me importo. Que não gosto. Gastando dias inteiros com lembranças. Escondendo carências. Por isso, moça, me entenda. Seu romance é livro na estante. E essa minha tristeza, a única coisa na cabeceira.  POR PRISCILA NICOLIELO
 Post Original :http://www.priscilanicolielo.com/2013/03/so-o-meu-amor-me-importa.html#.UVJGjhyHsew

sábado, 9 de março de 2013

Sobre O Medo Recorrente De Amar De Novo


 
“...mas não! Não quero estar apaixonado”
                                                               Legião Urbana- L’avventura

”Não...  Nâo desta vez, não haverá juras que se quebram, não haverá meu pranto que rola toda vez que fecho os olhos, não me permito cair nessa ilusão mais uma vez, isso já aconteceu e sei bem como termina quem se fere sou eu..”
É garota, talvez eu entenda você, talvez eu entenda esse medo que corre pela sua espinha toda vez que esse cara tenta contato com você, talvez eu veja seu lábio contorcido em responder aquele SMS gigante com palavras doces amáveis e inspiradoras, ou simplesmente manter silêncio. Você escolhe a segunda alternativa porque, de verdade não sabe o que responder, ou se sabe, teme que abrirá uma pequena brecha na sua fortaleza, nesse castelo, nessa masmorra, onde os muros tem um “NÃO SE APROXIME” rabiscado em letras garrafais, muros tão grandes, tão altos que não são feitos de  concreto, mas de uma matéria muito mais forte, muito mais sólida: REALIDADE.
Realidade baseada na frase: “Todo mundo parte uma hora, e quando parte, parte a gente ao meio, e leva parte do nosso coração junto, e oque resta é pedaços, pedaços de sonhos esperanças e expectativas, e claro, choro... sim o seu choro. Mas não dessa vez!
Será que seria assim mesmo??? Será que o “ Eu vou cuidar de você” não se traduziu naquelas quase 500 mensagens quando você estava se sentindo mal por alguma coisa???? Não! Não quero ser “advogado do diabo”, mas já te ocorreu que algumas- tá bom algumas poucas pessoas-pessoas realmente dizem o que querem dizer?
Será que aquela preocupação cortante por um pé, alergia, ou qualquer coisa que tenha te ocorrido nos meses passantes não era genuína? Será que realmente tudo isso era fingimento, só pra ter uma recompensa, que já sabemos qual é?
Fica a dúvida! Que mais que você quer que eu diga? Será que ele era “o cara”, ou só mais um moleque que queria brincar de paixão? Um moleque que quer conquistar, derrubar todas as suas barreiras, te deixar entregue ao sentimento que você cria e com um sorriso cínico vira as costas e se vai? Fica a dúvida!!!
Fica a dúvida de tudo o que  você quer  viver  por medo, aquela sensação aterrorizante que te diz: “tudo vai ser igual”, ou “tudo vai me fazer sofrer de novo”

O MEDO

Recorrente, que acontece de novo e mais uma vez, sempre num ciclo eterno, o medo te circunda, assombra e conturba sua vida,
“O medo é uma sensação normal ao se confrontar com a verdade” e talvez essa verdade seja: era ele, era ele que ia te olhar nos olhos e ver o espelho da alma dele-não faça essa cara de incrédula, homens conseguem amar, de verdade- era ele que ia dizer no fim de um dia ruim que tudo ia ficar bem, e foi ele que baixou encodou uma temporada da sua série favorita, ou melhor, comprou TODAS as temporadas em segredo pra que quando ele não estivesse, você teria com o que se distrair, mas teria uma mensagem “estou pensando em você”. E toda vez que havia uma mensagem do tal cara, falando em sentimentos fou você que deu silêncio de volta... Medo... Simples assim, ou só aquela desconfiança, “Papai do Céu caprichou dessa vez”.
Na boa, você só recebe aquilo que merece, isso é fato! Sem nenhuma hipocrisia: Por que motivo razão ou circunstância plausível ou não, não seria ele?
Porque,  essa maldita enfermidade de relacionamentos passados continua fazendo seu peito duro, insensível, inerte a qualquer tipo de emoção?
Menina... o tempo passa, as oportunidades se vão, e aquilo que era real ontem pode não ser hoje, existe aquele “momento suspenso” onde tudo faz sentido, onde tudo se transforma, onde tudo o que era casual poderia se tornar  algo tangente e plausível, mediante a instabilidade do coração, será que esse amor não seria pra ficar???
Tenho uma verdade pra você... mediante a tudo o que aconteceu, não diga mais nada “ELE NÃO VAI TE RESPONDER”, em algum lugar do seu silêncio ele encontrou a coragem pra não continuar, não continuar a nutrir sonhos que VOCÊ não pode realizar, porque é muito mais fácil pra você continuar com esses jogos em que você  sempre perde-não me venha com considerações, é assim que é, é assim que tem sido- porque sabemos que é bem assim.
Não se esqueça! Ele não  responde mais, não importa  o quanto você tente, não importa o quanto AGORA você sinta que elé é especial, suas  convicções agora não valem nada, mas não se esqueça, você era só o projeto de felicidade dele, mas foi você que errou, por não ter CAPACIDADE de ser real.

O Cara Que Inventava Paixões


“ O amor é o ridículo da vida, a gente procura nele uma pureza impossível”
                                                                                                                       Cazuza

... e o telefone não tocou, são mais de 24 horas depois da última mensagem, e olhando  fixamente para o celular ali, parado, mudo e inerte várias coisas passam pela sua mente.
Mas não dá ouvidos a voz da dúvida: “ promessas são feitas para serem cumpridas, minha parte, eu faço!” e se vai... Compra as coisas que faltam, liga pro melhor amigo dá risada de uma palhaçada feita há algum tempo atrás, organiza DVD’S e nessa hora bate a mão num “box” de uma série.. e tudo volta: “ Onde essa pessoa está que não pode  responder uma simples mensagem?” “ Caralho!!! Será que é muito pegar a porra do celular responder: Tô viva!?”. Coça a testa num sinal de inquietação, põe a caixa lacrada em cima da mesa, continua na odisseia de  por  ordem nesses DVD’S “ isso tá uma bagunça!!” murmura silenciosamente, enquanto seu filme predileto cai ao chão, não resiste, pega o filme e coloca no aparelho, já sabe de cor as cenas, as falas, sabe qual é o final: ela sem ele, ele sem  ela, mas não aperta o eject , deixa o filme rolar, se perde em tantas outras coisas, mas em um dado momento olha pra tela enquanto ela, a moça do filme diz: “ Talvez em outra vida, quando nós dois formos gatos”. Rápido simples indolor, num golpe só a gente nem sente a dor, que vem sem aviso, sem alerta.

O INVENTOR DE PAIXÕES
“Ela era meu devaneio de proximidade” diz o cara do filme, talvez seja isso.. um sonho, uma miragem, uma vontade ímpar de estar perto de quem tem os olhos, o corpo  e o coração longe daquilo que você almeja ser. Um lugar pra descansar, um peito pra recostar quando o dia for conturbado, uma canção pra esboçar um sorriso. Uma razão, um motivo, uma circunstância, a preocupação  cortante se o pé esta melhorando, se a alergia regrediu, ou se simplesmente ninguém, hoje, fez o seu coração chorar.
“ A gente  inventa  essa proximidade”, pensa... “ Seja num celular que pisca, seja nos breves caracteres que aparecem numa tela, a gente cria a ilusão que somos importantes, em contramão o outro se tornou gigante diante do nosso minúsculo coração, o outro se torna aquele último nome na  oração, o primeiro pensamento ao acordar, o primeiro destino da primeira mensagem quando nem levantou da cama, o primeiro sorriso quando lembra do rosto dela...a primeira pessoa que você quer contar que está feliz , ou nem tanto .
Invenções, ilusões criadas a partir daquilo que não pode ser, daquilo que NUNCA será real, fácil e simples quando encarado com realidade, se não se responde o que se pergunta, é porque o assunto é irrelevante, menos importante diante de tantas distrações que a gente tem durante o dia.
“Quem quer há de dar um jeito, uma maneira” Não existe sentença mais verdadeira, mais transparente com relação a sentimentos, porque aquela linha segura que separa uma relação saudável , como amizade, de um relacionamento frágil, ainda está lá, atrás dos seus calcanhares, por que em algum momento você que atravessou a tal linha, não ligou para os riscos que isso podia implicar, somente fechou os olhos e deu um passo- passo que definiria os próximos anos da sua vida, ou até meses, ou dias, mas ao abrir os olhos, o outro não estava lá, nem veio, nem viu, nem percebeu, não escutou...
São paixões que a gente inventa, “devaneios de proximidade” que  se escondem num mundo onde as pessoas  fingem diante de uma tela, porque, afinal de contas, é mais seguro fingir na frente de um LCD de uma tela capacitiva ou resistiva, é mais seguro... Sim é... porque diante  da máscara da tela, somos mais confiantes, mais bem humorados, mais inteligentes e, até mais atraentes.
E o “cara que inventava paixões”, está lá diante de um horizonte, uma estrada, uma caminho pra trilhar, mas não haverá mãos dadas “ junto a travessia é mais prazerosa”, e nesse silêncio até o vento sabe dizer: “ Quem não se mostra de verdade, muito  tem a esconder”