sábado, 11 de maio de 2013

No vale das borboletas: Quando é necessário reaprender a sentir



“ *Eu sei que as cicatrizes falam Mas as palavras calam O que eu não me esqueci”



01- O FIM
Não era mais uma porta que se fechava e detrás dela um rosto, não, definitivamente não era isso, era exatamente tudo pelo o que ela tinha vivido nos últimos anos.
E todas as promessas se calavam no fechar da porta, no baque surdo que ela fazia, no silêncio que deixava na sala, na mesa de cabeceira, fotos, cartas lembretes das contas, um “post it” que fora pregado dentro da carteira: “ não se esqueça...AMO VOCÊ”
“ De onde vem essa inconstância?” Ela pensa que de onde vem essa mudança repentina de ideais, de abraços quentes no meio da noite e de silêncios longos com olhos nos olhos...
Mesmo os azulejos brancos da cozinha, ficaram amarelos depois da partida dele, mesmo aquele disco do Vinícius que ele deu em uma data especial, que tinha aquela música que dizia: “eu sei vou te amar”, começou a pular do nada, até o céu, por mais azul que seja, tornou –se cinza, melancólico, sem graça, pálido muitas vezes.
Vestindo uma camisa dele, sentada no sofá, abraça as próprias pernas e pousa o queixo sobre os joelhos, percorre o quarto com os olhos: “ Há espaço o bastante pra eu ser feliz agora, mas nem consigo me mexer”
E assim, se deixa deitar na cama, e do nada as lágrimas brotam, como se fosse uma chuva pra lavar seu peito, sua vida e sua alma... E no fim de todo esse pranto, ela sabe existirá a calma.


02- O EXÍLIO

Ela nem insiste em olhar sua imagem no espelho, ela nem insiste em disfarçar as olheiras pelas noites não dormidas
O sol nem parece nascer, a vida nem parece continuar, as canções nem têm graça...
O vermelho do esmalte, parece fosco, o batom já nem tem cor, e esse perfume já não enfeitiça. Ela vive sobre a dor que sobrevive entre seus breves soluços, desabafos numa rosa de amigos, ou sozinha naquele quarto onde tudo foi paixão...
Mas ela vai, disfarça um sorriso aqui, uma alegria ali, mas se se vai...
“ A vida é feita do que fazemos dela, é é essa hora de não dar atenção a nada, de me prender em mim mesma, de encontrar sentidos pra seguir em frente, mais um dia”
E os dias correm e ela percebe, aos poucos, que ninguém – é exatamente NINGUÉM- morre de amor, de uma história que era pra ser mas não foi, mas agora se mantém ali....
Tem muita coisa pra se deixar pra trás, há muitas dores e muitas cicatrizes que doem só de tocar, mas ela se vai, fechada dentro de si mesma, ri, canta chora mas existe uma dor...
E essa dor, ou receio do que possa estar por vir se resume no ato de olhar o mundo, como ele é.. na sua imperfeição....
“Da minha janela, vejo o mundo correr, ser feliz, cantar, chorar morrer e viver, mas não me envolvo, não que tenha algo contra tudo o que acontece lá fora, mas nesse momento eu não participo do mundo e ele não participa de mim”

03- O VALE

* Eu andei demais, não olhei pra trás”

“Vou embora desse lugar, vou embora desse lugar de lembranças, juras e promessas que não chegaram a acontecer, vou-me, mas vou pra não voltar”
Ela anda até onde seus pés cansados podem a levar, mas simpatiza com o silêncio de um lugar que cala a multidão de pensamentos em sua cabeça...
Descobre que a vida continua, em outras pessoas que ama, em outros sorrisos que encantaram seu coração, em tantas outras pessoas que cativaram o seu olhar, seu peito, sua vida, seu amor...
E viu que várias borboletas circundavam o seu corpo, e tinham várias cores, tamanhos, desenhos e formatos, que percebeu..
Ela viu que de repente pequenas larvas formavam casulos, e depois de algum tempo, saiam lindas borboletas foi ai que começou a entender...
Que a vida renasce em cada olhar, e, em um momento podia ter se tornado uma “larva” mas nesse exato momento, deixava as dores para trás, nesse exato momento, voltava a ser feliz com si mesma e por si mesma e em si mesma...
Não havia razões pra lembrar do que passou, pois o que passou não faz mais parte dela, aquelas borboletas, aquelas que circundavam o seu corpo lhe davam o recado: “ os mesmos pés cansados te levam de volta pra felicidade...”


* Fera Ferida- Roberto Carlos

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Pro Amor Que Deveria Acontecer: Uma Carta Não Aberta.


“Reconheço você, nas músicas, nas fotos e até nos meus textos que faz tempo que não vêm pra cá, mas todo dia uma frase pousa sobre a sua imagem e só uma frase sai de dentro de mim: RECONHEÇO VOCÊ.
Sim, te reconheço, mais pelas coisas que você é do que pelos seus traços, eles mudaram um pouco, se tornaram diferindo que eu costumava a ver, mas mesmo assim você AINDA é você.
Seu silêncio é afiado, corta fundo e sangra bastante mas determinadas vezes, é melhor sentir a dor chata do corte que não sentir nada...
Não é nesse mundo que vivemos? Onde amores que se professam com todas as forças, são esquecidos em semanas? Onde melhor é rir do que passou do que carregar a dor de uma desilusão?
Na verdade, existe o tempo certo pra tudo, tanto pra sorrir, quanto pra chorar, nem antes nem depois, o tempo exato, a medida certa, mas (in) felizmente, o mundo ao meu redor não me diz que essa é a hora de esquecer, de seguir em frente, de dar novos sorrisos e encantar outros corações.
Da minha janela, vejo o mundo que segue, com seus erros e seus acertos, mas de certa forma me parece correto observar o mundo de longe, sem nem opinar e me envolver, sem nem temer o que há do lado de fora, ou vacilar antes de girar a maçaneta, nem me sentir refém no meu abrigo.
Há coisas deixadas por você, um olhar nublado, um humor ranzinza, uma impaciência que insiste em se fazer presente quando os dias insistem em não passar.
Tudo o que carrega o seu nome “amor”, seja  adjetivo substantivo ou pronome instantaneamente perde a graça, mas volta a ter sentido quando lembro do seu sorriso.
Amor qualquer que seja o nome que você carregue, você deveria acontecer, daqui há 6 meses ou 10 anos, acho que você deveria chegar mais perto, e ver no fundo dos meu olhos tudo o que REALMENTE posso ser, ou não.
Pois você acontece nas frestas das nossas imperfeições, nos silêncios que teimamos em cultivar, mesmo sabendo que você fala mais alto.
Amor, lacro minha carta não aberta, essa história que posso ou não viver, mas não se esqueça EU RECONHEÇO VOCÊ.