Mas se... O amanhã cheio de sonhos que sempre conversamos
antes de dormir, desistir de chegar, se
houver silêncio, mágoa pulsante entre as batidas do nosso coração, se perde
entre o olhar cinza da nossa aquietação.
Saiba, há tantos caminhos pra se escolher, há tantas juras
pra se fazer, mas num momento , sobre silêncios que só a alma compreende eu te
disse: “ você sempre será a melhor parte de mim”.
Mas se, de um momento a outro, decidir pular desse barco, ao
qual somos prisioneiros por vontade, dá
sinal pra mim, pra que eu possa ler entre suas atitudes, que o abraço já não
mais aquece, que a rima perdeu a graça, e Vinícius, nem Chico e nem Ana, quando
cantam, traduzem seu amor por mim...
Entende... Que há coisas que a gente sonha e outras que a
gente vive, você nunca foi a história
que ficaria grudada nas minhas memórias, mas você foi tudo o que uma alma inquieta queria viver.
Inquieta demais pra saber os caminhos desse coração,
inquieta ao apostar em você todo o futuro de uma vida, sem ao menos pensar que
a queda é longa e a cicatriz é pra sempre.
Percebe... Que eu sempre serei canção ímpar entoada por um coração só, que
persiste entre silêncios, hiatos e reticências.
Mas se de fato, o amanhã não chegar, lembre –se: “todo amor
que houver nessa vida” estará preso em seus olhos e no brilho do seu sorriso
quando você não sabe o que dizer.
Estará firme, eterno e pungente na face que você faz quando
me mira, no silêncio mudo que faço quando te toco.
E... se não houver uma aurora pra completar nosso peito, e
se tudo que a gente sonha, for estranho e sem jeito... Lembra da cara que eu
faço quando te vejo, mas não queria que
você fosse mais que um espelho, que traz de volta...
Traz de volta o abraço apertado, o silêncios, entre os
soluços, quando a vida só fazia por doer, que aos poucos trazia a paz de ter um
teto, uma casa, um lar...
Mas.. Se não houver amanhã pra nós, desejo que em um momento
estejamos a sós, partilhando do que não existe, enquanto desfazemos os nós, que
nos impedem de sermos nós, porque de verdade, desejamos ser sós...
E, se é aqui, nessa sala muda onde tudo termina, onde a
paridade de sermos mudos diante de um amor que definha, lembra de modo suave e sorri, que tenho tuas digitais
em mim e num segundo perdido no tempo, você é a tradução de todo amor que já
existiu.
E é simples, não saberei te esquecer, porque afinal, não fui
feito pra viver sem você...
