“Reconheço você, nas músicas, nas fotos e até nos meus
textos que faz tempo que não vêm pra cá, mas todo dia uma frase pousa sobre a
sua imagem e só uma frase sai de dentro de mim: RECONHEÇO VOCÊ.
Sim, te reconheço, mais pelas coisas que você é do que pelos
seus traços, eles mudaram um pouco, se tornaram diferindo que eu costumava a
ver, mas mesmo assim você AINDA é você.
Seu silêncio é afiado, corta fundo e sangra bastante mas
determinadas vezes, é melhor sentir a dor chata do corte que não sentir nada...
Não é nesse mundo que vivemos? Onde amores que se professam
com todas as forças, são esquecidos em semanas? Onde melhor é rir do que passou
do que carregar a dor de uma desilusão?
Na verdade, existe o tempo certo pra tudo, tanto pra sorrir,
quanto pra chorar, nem antes nem depois, o tempo exato, a medida certa, mas
(in) felizmente, o mundo ao meu redor não me diz que essa é a hora de esquecer,
de seguir em frente, de dar novos sorrisos e encantar outros corações.
Da minha janela, vejo o mundo que segue, com seus erros e
seus acertos, mas de certa forma me parece correto observar o mundo de longe,
sem nem opinar e me envolver, sem nem temer o que há do lado de fora, ou
vacilar antes de girar a maçaneta, nem me sentir refém no meu abrigo.
Há coisas deixadas por você, um olhar nublado, um humor
ranzinza, uma impaciência que insiste em se fazer presente quando os dias insistem
em não passar.
Tudo o que carrega o seu nome “amor”, seja adjetivo substantivo ou pronome
instantaneamente perde a graça, mas volta a ter sentido quando lembro do seu
sorriso.
Amor qualquer que seja o nome que você carregue, você deveria
acontecer, daqui há 6 meses ou 10 anos, acho que você deveria chegar mais perto,
e ver no fundo dos meu olhos tudo o que REALMENTE posso ser, ou não.
Pois você acontece nas frestas das nossas imperfeições, nos
silêncios que teimamos em cultivar, mesmo sabendo que você fala mais alto.
Amor, lacro minha carta não aberta, essa história que posso
ou não viver, mas não se esqueça EU RECONHEÇO VOCÊ.

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