“Hoje o tempo voa amor..
Escorre pelas mãos...
Mesmo se se sentir
Que não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo o que há pra viver;
Vamos nos permitir...”
Uma taça de vinho manchada de carmim, minha lembrança vaga
do que aconteceu, seu corpo quente na minha cama, fragmento de um você e eu...
A música era boa seu olhar envolvia, num instante você era
o que eu queria, e assim sem
breves pausas tudo aconteceu...
Lembro que o vinho era perfeito, modéstia à parte fui eu quem escolhi, mas me pergunto: “ até onde
você é real?”
Você é uma alma que vive além dos 3000 SMS que a gente troca por dia? Ou só
aquela promessa que jura acontecer que
NUNCA vai ser real?
Você ainda pode
ser tudo o que crio na esperança,
que uma hora você venha, sem desculpas
que tem coisas pra fazer... Mas FIQUE...
Fique... Cara!!! ( sei que esse não é o termo mais romântico
que eu tenho, mas é esse que eu vou usar) Não viva nessa urgência de ir embora,
não viva nessa promessa de descompromisso.
Vamos lá! Diga que a noite não valeu nada, foi só um caso,
uma transa um “ a gente se encontra quando o corpo chama”.
Mas você se cala e seu olho fecha um pouco- aquele momento
que já conheço, que tenta, separar razão de emoção- e nada sai dos teus lábios.
Mas sei, de alguma forma,
depois de ontem, algo ficou preso em você como ficou preso em mim, e
disso minha cara, não podemos nos esquivar...
Porque em cada canto de nossa memória isso vai nos incomodar, e o que geralmente
incomoda, é essa distância, são as frases vagas que a gente solta: “ a gente se
vê..."
E a gente se vê, lutando contra algo que já esteja à porta,
pronto, mas não nos damos conta ou não queremos perceber.
Parece que a gente tem medo de abrir a porta e deixar a
felicidade chegar e invadir nosso lugar,
parece que de tanto tentar a gente se esquece de quanto um sorriso um abraço,
um afago faz falta.
Ontem foi o fim do começo, ou o começo do fim, mas aqui
sentado na cama, vendo seu corpo inerte, inebriado de sono, o sorriso bobo que
se esboça no meu rosto, o calor gostoso que tenho no peito me dizem, que o ontem
pode se estender até hoje, ate amanhã; ou até o fim da semana ou enquanto a
gente queira tentar.

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