quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ontem


“Hoje o tempo voa amor..
Escorre pelas mãos...
Mesmo  se se sentir
Que não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo o que há pra viver;
Vamos nos permitir...”

Uma taça de vinho manchada de carmim, minha lembrança vaga do que aconteceu, seu corpo quente na minha cama, fragmento de um você e eu...
A música era boa seu olhar envolvia, num instante  você era  o que eu queria, e  assim sem breves pausas tudo aconteceu...
Lembro que o vinho era perfeito, modéstia  à parte fui eu  quem escolhi, mas me pergunto: “ até onde você é real?”               
Você é uma alma que vive além dos  3000 SMS que a gente troca por dia? Ou só aquela promessa  que jura acontecer que NUNCA vai ser real?
Você ainda pode  ser  tudo o que crio na esperança, que uma hora  você venha, sem desculpas que tem coisas pra fazer... Mas FIQUE...
Fique... Cara!!! ( sei que esse não é o termo mais romântico que eu tenho, mas é esse que eu vou usar) Não viva nessa urgência de ir embora, não viva nessa promessa de descompromisso.
Vamos lá! Diga que a noite não valeu nada, foi só um caso, uma transa um “ a gente se encontra quando o corpo chama”.
Mas você se cala e seu olho fecha um pouco- aquele momento que já conheço, que tenta, separar razão de emoção- e nada sai dos teus lábios.
Mas sei, de alguma forma,  depois de ontem, algo ficou preso em você como ficou preso em mim, e disso minha cara, não podemos nos esquivar...
Porque em cada canto de nossa memória  isso vai nos incomodar, e o que geralmente incomoda, é essa distância, são as frases vagas que a gente solta: “ a gente se vê..."
E a gente se vê, lutando contra algo que já esteja à porta, pronto, mas não nos damos conta ou não queremos perceber.
Parece que a gente tem medo de abrir a porta e deixar a felicidade chegar e   invadir nosso lugar, parece que de tanto tentar a gente se esquece de quanto um sorriso um abraço, um afago faz falta.

Ontem foi o fim do começo, ou o começo do fim, mas aqui sentado na cama, vendo seu corpo inerte, inebriado de sono, o sorriso bobo que se esboça no meu rosto, o calor gostoso que tenho no peito me dizem, que o ontem pode se estender até hoje, ate amanhã; ou até o fim da semana ou enquanto a gente queira tentar.

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