Não foi... É tudo o que resta a dizer, você soube me ver mas,
não pode me enxergar. E diante dos tardios silêncios que se fazem,
que resvalam nas paredes, tiro sua foto do quadro de metal, beijo docemente e a
coloco na caixa do breve “ não pode ser” que circunda a minha vida. Deixo uma
poesia incompleta, uma canção que ainda
não pode tocar.
Talvez você tenha aparecido tarde demais, ou talvez ainda
pense em você como se tivesse dez anos a menos. Mas o tempo não espera, você
não veio uma vez, quando veio, decidiu ir embora, e agora, que pode caminhar,
se recusa a vir me encontrar. Mas não te culpo, a culpa é sempre daquele que
insiste em entregar uma coisa que o outro não quer receber...
São tempos solitários por aqui, e tudo o que eu faço, é
lembrar da tua figura... Mas isso passa né? Passou antes, não tem porque não
passar agora.
Não se preocupe, é
breve essa situação, agora é tudo cinza, mas as cores voltam ao poucos, e, sem perceber,
coloco o disco do Vinicius, enquanto seguro uma xícara do teu chá predileto,
vez ou outra o vazio se preenche não é?
Não se entristeça... A vida é muito “madrasta” a gente luta
muito, pra nunca ter nada, tudo o que vivemos nessa existência é aposta, e nem
sempre a gente pode ganhar.
Só recolho aquele: “
meu amor não vai faltar”, todas as juras se mantêm as mesmas, mas é necessário deixar você ir, pra que você seja o que quer queira ser, - pois a
culpa é minha- que vá pra onde possa ir, e viva o que decide viver. Solto
aquilo que eu nunca consegui prender, mas vou bem, pois te deixando ir, posso
voltar a ser quem eu era antes...
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