terça-feira, 28 de abril de 2015

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Não foi... É tudo o que resta a dizer, você soube me ver mas,  não pode me enxergar.  E diante dos tardios silêncios que se fazem, que resvalam nas paredes, tiro sua foto do quadro de metal, beijo docemente e a coloco na caixa do breve “ não pode ser” que circunda a minha vida. Deixo uma poesia  incompleta, uma canção que ainda não pode tocar.
Talvez você tenha aparecido tarde demais, ou talvez ainda pense em você como se tivesse dez anos a menos. Mas o tempo não espera, você não veio uma vez, quando veio, decidiu ir embora, e agora, que pode caminhar, se recusa a vir me encontrar. Mas não te culpo, a culpa é sempre daquele que insiste em entregar uma coisa que o outro não quer receber...
São tempos solitários por aqui, e tudo o que eu faço, é lembrar da tua figura... Mas isso passa né? Passou antes, não tem porque não passar agora.
Não  se preocupe, é breve essa situação, agora é tudo cinza, mas as  cores voltam ao poucos, e, sem perceber, coloco o disco do Vinicius, enquanto seguro uma xícara do teu chá predileto, vez ou outra o vazio se preenche não é?
Não se entristeça... A vida é muito “madrasta” a gente luta muito, pra nunca ter nada, tudo o que vivemos nessa existência é aposta, e nem sempre a gente pode ganhar.

Só recolho  aquele: “ meu amor não vai faltar”, todas as juras se mantêm as mesmas, mas  é necessário deixar você ir, pra que  você seja o que quer queira ser, - pois a culpa é minha- que vá pra onde possa ir, e viva o que decide viver. Solto aquilo que eu nunca consegui prender, mas vou bem, pois te deixando ir, posso voltar a ser quem eu era antes...

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