Onde você está parece ser, tão longe quanto a eternidade,
descruze os braços; fale comigo, se isso que a gente tem nunca termina, onde
começamos?
Você se lembra? Era mais fácil viver de sorrisos do que de
reclamações, era mais fácil ter uma musica pra lembrar a gente do que a mensagem não respondida. Sua
mão é longe quando a gente anda na rua, seu abraço falta quando o sono chega.
Nosso silêncio é presente em tudo que a gente faz.
Amar é pesado mesmo, tem horas que nada pode trazer de volta
o brilho no olhar, depois de ver tantas coisas do outro, é quase impossível se ver e ter o riso de
orelha a orelha.
E tem muita coisa, tem a raiva que bate portão, sai sem
dizer “tchau”, o choro comedido dizendo entre as lagrimas que caem que doeu...
E doeu fundo e parece não ter conserto, remendo que traga de volta a vontade.
Aquela vontade gêmea, similar de sermos dois, sei que cada um deve ter seus
próprios sonhos, mas o “eu” tomou o lugar das suas frases que diziam nós, é
muito mais fácil a gente se perder nos nossos próprios projetos do que,
naquilo, que sonhávamos em construir. Parece que somos, e estamos nos tornando
vias que se separam, e não vão se encontrar mais, parece que a mágica de sermos
quem éramos, foi se perdendo com o tempo... E o tempo não volta...
Não volta pra mostrar que era mais fácil fazer silêncio
quando a ira desejava gritar dentro do peito, e cada ato, cada palavra caleja o
coração. E tem horas que ele bate cansado, cansado de tanta adversidade, de
tanta coisa que era e nunca foi, ou que foi se perdendo, enquanto a gente
competia quem se importava menos.
Mas se for, vamos de vez, nada de ensaiar um adeus que se
diz com o corpo, com a alma e sem as palavras... Vamos, e sejamos breves na
despedida, pois como dizem: “ou quente ou frio, água morna não serve nem pra
fazer chá.”
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