segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Encontros


Aí sim. O milagre do encontro acontece, e os dizeres ganharão outro significado. Mas será reciproco. Nem que seja provisório. É o conhecimento de uma nova vida com suas saliências e reentrâncias, com seus sabores e estranhamentos. Mas vão os dois”
                                                                                                                             Gabriel Chalita

A gente sempre encontra alguém que nos desarma, e nos coloca disposto a viver algo que almejamos há muito tempo.
A gente sorri com uma foto que não sabemos quando foi tirada.
Encontros são fruto da espera, porque  tem um ritmo cadenciosamente  lento, num mundo onde tudo  nasce cresce e morre prematuramente, os encontros, os grandes encontros são feitos da certeza de que parte gêmea do que somos está em algum lugar, e chegara até nos num dado momento.
São feitos de dores, de desenganos, de planos partidos, de lágrimas. Lágrimas que choramos anteriormente, mas que nos deram a maturidade de saber, que paixões são rápidas, egoístas e barulhentas, extinguem- se rápido e deixam nos marcas. Marcas daquilo que não devemos fazer ou dizer.
Encontros são junções de histórias, de riso fácil, de SMS o dia inteiro, de “farei você sorrir todo dia”, de presença, de promessa.
Promessa de entender o outro todo dia, de saber que ele tem seus gostos, seus jeitos e suas manias, embora encontros juntem pessoas de ideais semelhantes, há a necessidade de se respeitar a sacralidade da individualidade, “o outro está comigo, mas não é meu”.
Ao inverso da paixão que queima, restringe escraviza, os encontros nos deixam livres pra sermos quem quisermos ser, estarmos onde quer que queiramos, mas nos dá a vontade de voltar... Voltar e ver uma tela que se ilumina e com poucas palavras torna seu dia melhor, mais brilhante, mais intenso, mais real.
Esse encontro, nasce do medo de não dizer, que tudo o que se quer dizer, é cultuado no  mais profundo silêncio ao mirar uma foto, de ler e reler coisas escritas, de saber que a história já se desenhava há tempos atrás, sem perceber.
Encontros podem não ser eternos, mas nos dá vontade de tentar fazer o outro feliz hoje.. ou até amanhã... e dia seguinte... Não declara o “sempre” em suas primeiras horas,  mas tenta o construir a cada dia... a cada hora a cada momento.
De mãos dadas, a travessia fica mais bela, mais serena, mais leve, mas vão os dois... de mãos dadas.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Enquanto Você Não Vem




“As esperas que amadurecem o encontro, não são atrasos”

Enquanto você não vem, olho a sua foto, admiro seus olhos grandes e  brilhantes tradução que paixão realmente pode acontecer  naquele instante suspenso em que nada importa.. só vc.
Corro no meio de entrevistas, pagamentos, demissões, acidentes de trabalho, mas não deixo de olhar o celular se você dá sinal de vida.
Tento  cumprir minha promessa de “ fazer você rir a cada dia”, mesmo que tenha só alguns caracteres numa tela que pisca quando você me responde, e nestes singulares momentos sorrio, so porque você sorri.
Enquanto você  não vem, procuro musicas que têm a sua cara, ou que traduzam  você pra mim, já que você consiste em ser esse mistério, que nem desvendo e nem consigo me afastar.
Nesse período de espera, daquilo que não sei se há de vir, mas prometi ficar e aqui fico, esperando um sinal, um aceno.. um adeus.
Mas se em algum momento você vier...

FICA...

Eu baixei e encodei em DVD sua série favorita, se você quiser a gente assiste  junto, eu sei fazer pipoca de micro-ondas, brigadeiro de panela ou lasanha ao molho branco.
Se não quiser isso, tudo bem,  eu te conto como foram os meus dias e seguro sua mão  enquanto você me diz do que tem medo.
Ou o que te irrita, o que  te deixa triste, você sabe, cada frase te darei um beijo na testa e direi “ não há de ser nada”.
Fica.. tem um universo  entre nós dois e pouco sei de você,  você foge  quando eu falo de sentimentos, ou sempre diz palavras  de só duas sílabas.
Fica, o mundo lá fora pode esperar um pouco, liga pra sua mãe e diz que se perdeu, ou pras amigas que nem sabem que eu sou, que vai demorar mais um pouco.. ou muito.
Eu tenho um sofá grande e um cobertor anti-alérgico se fizer frio, eu tenho um pen- drive com mais de cem musicas pra você saber que quando ouço cada uma delas eu lembro do seu sorriso.
Eu posso te fazer massagem ou cantar pra você (eu canto bem!), aquela canção que você cantava quando era adolescente.
Ou a gente  pode jogar aquele jogo de anos atrás, quando em nenhum momento eu podia imaginar que ia  te falar “é pra direita!!!”.
Fica vai... Nenhuma poesia criada ou não por mortais, ou seres divinos pode traduzir o que eu sinto quando você sorri, mas eu sinto...
O mundo lá fora é esquisito frio e sem sentimento, te faço um chocolate quente, um chá  de camomila e a a gente ri de si mesmo, dos outros.. de todo mundo.
Mas se já tiver que ir mesmo deixe seus traços, seu corpo e seus braços, seu sorriso, suas músicas preferidas. Deixe-me só mais um pouco de você, num silêncio tardio enquanto a gente se olha.