terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Impossível

“Talvez aconteça, em outra vida, quando nós dois formos gatos”
“Sofia Serrano- Vanilla Sky"


O impossível sempre vai cercar nossa vida... seja um sonho que não podemos realizar ou aquela canção que sabemos de cor, mas não podemos cantar.
O impossível aparece em todos os cantos, frestas e sombras aos quais nos perdemos um segundo na nossa atenção.. o que não pode ser sempre nos circunda como a quimera dos antigos alquimistas... Como a paixão perfeita que todos os amantes NUNCA vão poder provar.
Esse impossível, aquela coisa que NUNCA vai nos acontecer, pode se traduzir num olhar que expressa tanto amor que NUNCA vamos receber... Ou um passeio de mãos dadas que não tem por onde ser real.
Ou aquela frase de amor que fantasiamos a quatro estações que só pode ser sentida pela uma batida ímpar de um coração...
Sonhos impossíveis são impossíveis e só, a realidade mata toda a fantasia que nosso peito possa criar, toda a primavera que nosso peito insista em elaborar no meio de um sinistro inverno ou toda sinfonia que nossa ilusão possa florear no silêncio da nossa solidão.
Na vida sempre nos deparamos com aquilo que não pode ser, não por falta de vontade nossa, mas por um infortúnio do destino, ele ousa a nos distanciar do objeto da nossa devoção.
Nem o instante suspenso onde abraços foram mais fortes que palavras, ou que olhares traduziram toda intensidade de um carinho. Na fatalidade do impossível de se sentir possuidor único do seu sonho, o tal “instante suspenso” evapora no vazio que os braços encontram.
Já, nesse momento, não importam os “porquês” , “qual foi minha falha” e diante de um hiato silencioso, a sentença surge nua e crua... “ Não vai acontecer”.
Não haverá juras, palavras de carinho, encontros, brigas, reconciliações, conversas olho no olho ou um abraço acolhedor no fim de um dia conturbado.
Neste momento, abandone todas as ilusões, todos os sonhos frustrados pelo incrível. Desista de acenar pro futuro que não veio. Não se prenda naquilo que podia ser,na sua vontade de ser com a metade da sua ilusão, o mais completo possível...
Parece até uma citação a qual a gente dispara diante de um bar, embriagado pela perda de algo que poderia ser valioso, mas que se tornou tão inútil como os cacos do sonho que você juntava, tentando fazer do NUNCA algo real e tangível... “ Quando um não quer dois não formam um casal”.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Coisas...


“ Que as pequenas coisas mostrem pra você o que é felicidade”

O silêncio que você faz quando me ouve falar, o modo como brinca com o cabelo quando se distrai com alguma coisa, ou até o som da sua risada quando eu tento ser engraçado.
Pequenas coisas, todas as coisas, grandes coisas, coisas que você é, pequenos pedaços de saudade, pequenos  vestígio de felicidade, uma canção não cantada, uma poesia não escrita.
O modo  que você silencia, a maneira como reclama ou só o modo em que pede “eu só queria que tudo voltasse a ser doce”.
As palhaçadas que você me faz fazer, por prometer sempre fazer você rir a cada dia, a preocupação que você me faz sentir se não está tudo bem. Os conselhos que dou tentando acalmar seu coração, o jeito que sua mão encaixa na minha...
Como você dorme com as mãos no rosto, o jeito que se espreguiça quando acorda, todo o sono que você sente e como você diz “ sono não se controla”.
As musicas que você ouve, a sua frase “ eu faço os doces você os salgados”, a maneira espetacular como você consegue ser desastrada, a mania que você tem de chorar por tudo, por todos.
Pequenas coisas, todas as coisas, grandes coisas... coisas que você é,  mistério indecifrável, questões que não se respondem, verdades que não se questionam, frases que não se calam.
Um aperto no coração quando você se cala, uma foto de um pé contundido numa tela, o medo que você sente do amor, o jeito como você me conta como foi seu dia. Singulares coisas na sua figura encantam de primeiro ato, o tom da sua voz, a maneira como gesticula quando fala, e como pousa o calcanhar no chão primeiro quando anda.
Até quando eu  vejo graça quando você fica brava, a mania que você mantém de dormir no meio de uma conversa...
Pequenas coisas, todas as coisas, grandes coisas... coisas que você é, o início de nada, o fim de tudo, motivos, razões e circunstâncias, uma causa pra defender.
As coisas que escrevo,  a revolta por você não acreditar em nós, o meu silêncio profundo quando vejo sua foto.  A mania que a gente tem de se tratar por aquela pequena  palavra que começa com “N”.
Você ainda consegue ser, em um piscar de olhos, tudo o que eu quero, aquilo que prometo manter distância, mas nunca cumpro, porque cuidar de você ainda parece ser a promessa mais importante que fiz na minha vida.
Você é muita coisa que não caberia em mim, você é meu último nome na minha oração antes de deitar, meu primeiro pensamento ao abrir os olhos, a inicial do seu nome presa no meu quadro de metal.
Pequenas coisas, todas as coisas, grandes coisas, coisas que você é... PRA MIM.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Encontros


Aí sim. O milagre do encontro acontece, e os dizeres ganharão outro significado. Mas será reciproco. Nem que seja provisório. É o conhecimento de uma nova vida com suas saliências e reentrâncias, com seus sabores e estranhamentos. Mas vão os dois”
                                                                                                                             Gabriel Chalita

A gente sempre encontra alguém que nos desarma, e nos coloca disposto a viver algo que almejamos há muito tempo.
A gente sorri com uma foto que não sabemos quando foi tirada.
Encontros são fruto da espera, porque  tem um ritmo cadenciosamente  lento, num mundo onde tudo  nasce cresce e morre prematuramente, os encontros, os grandes encontros são feitos da certeza de que parte gêmea do que somos está em algum lugar, e chegara até nos num dado momento.
São feitos de dores, de desenganos, de planos partidos, de lágrimas. Lágrimas que choramos anteriormente, mas que nos deram a maturidade de saber, que paixões são rápidas, egoístas e barulhentas, extinguem- se rápido e deixam nos marcas. Marcas daquilo que não devemos fazer ou dizer.
Encontros são junções de histórias, de riso fácil, de SMS o dia inteiro, de “farei você sorrir todo dia”, de presença, de promessa.
Promessa de entender o outro todo dia, de saber que ele tem seus gostos, seus jeitos e suas manias, embora encontros juntem pessoas de ideais semelhantes, há a necessidade de se respeitar a sacralidade da individualidade, “o outro está comigo, mas não é meu”.
Ao inverso da paixão que queima, restringe escraviza, os encontros nos deixam livres pra sermos quem quisermos ser, estarmos onde quer que queiramos, mas nos dá a vontade de voltar... Voltar e ver uma tela que se ilumina e com poucas palavras torna seu dia melhor, mais brilhante, mais intenso, mais real.
Esse encontro, nasce do medo de não dizer, que tudo o que se quer dizer, é cultuado no  mais profundo silêncio ao mirar uma foto, de ler e reler coisas escritas, de saber que a história já se desenhava há tempos atrás, sem perceber.
Encontros podem não ser eternos, mas nos dá vontade de tentar fazer o outro feliz hoje.. ou até amanhã... e dia seguinte... Não declara o “sempre” em suas primeiras horas,  mas tenta o construir a cada dia... a cada hora a cada momento.
De mãos dadas, a travessia fica mais bela, mais serena, mais leve, mas vão os dois... de mãos dadas.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Enquanto Você Não Vem




“As esperas que amadurecem o encontro, não são atrasos”

Enquanto você não vem, olho a sua foto, admiro seus olhos grandes e  brilhantes tradução que paixão realmente pode acontecer  naquele instante suspenso em que nada importa.. só vc.
Corro no meio de entrevistas, pagamentos, demissões, acidentes de trabalho, mas não deixo de olhar o celular se você dá sinal de vida.
Tento  cumprir minha promessa de “ fazer você rir a cada dia”, mesmo que tenha só alguns caracteres numa tela que pisca quando você me responde, e nestes singulares momentos sorrio, so porque você sorri.
Enquanto você  não vem, procuro musicas que têm a sua cara, ou que traduzam  você pra mim, já que você consiste em ser esse mistério, que nem desvendo e nem consigo me afastar.
Nesse período de espera, daquilo que não sei se há de vir, mas prometi ficar e aqui fico, esperando um sinal, um aceno.. um adeus.
Mas se em algum momento você vier...

FICA...

Eu baixei e encodei em DVD sua série favorita, se você quiser a gente assiste  junto, eu sei fazer pipoca de micro-ondas, brigadeiro de panela ou lasanha ao molho branco.
Se não quiser isso, tudo bem,  eu te conto como foram os meus dias e seguro sua mão  enquanto você me diz do que tem medo.
Ou o que te irrita, o que  te deixa triste, você sabe, cada frase te darei um beijo na testa e direi “ não há de ser nada”.
Fica.. tem um universo  entre nós dois e pouco sei de você,  você foge  quando eu falo de sentimentos, ou sempre diz palavras  de só duas sílabas.
Fica, o mundo lá fora pode esperar um pouco, liga pra sua mãe e diz que se perdeu, ou pras amigas que nem sabem que eu sou, que vai demorar mais um pouco.. ou muito.
Eu tenho um sofá grande e um cobertor anti-alérgico se fizer frio, eu tenho um pen- drive com mais de cem musicas pra você saber que quando ouço cada uma delas eu lembro do seu sorriso.
Eu posso te fazer massagem ou cantar pra você (eu canto bem!), aquela canção que você cantava quando era adolescente.
Ou a gente  pode jogar aquele jogo de anos atrás, quando em nenhum momento eu podia imaginar que ia  te falar “é pra direita!!!”.
Fica vai... Nenhuma poesia criada ou não por mortais, ou seres divinos pode traduzir o que eu sinto quando você sorri, mas eu sinto...
O mundo lá fora é esquisito frio e sem sentimento, te faço um chocolate quente, um chá  de camomila e a a gente ri de si mesmo, dos outros.. de todo mundo.
Mas se já tiver que ir mesmo deixe seus traços, seu corpo e seus braços, seu sorriso, suas músicas preferidas. Deixe-me só mais um pouco de você, num silêncio tardio enquanto a gente se olha.