terça-feira, 28 de janeiro de 2014

As Quatro: Outono

Pergunto-me poucas coisas sobre seu silêncio. Entendo seus motivos, suas incertezas e até as suas crises. Não foi  assim que a gente prometeu?  Que íamos caminhar juntos, até quando nossos corações se sentissem a vontade. Sinto em seu olhar ás vezes, o cansaço da caminhada, o fardo pesa uma hora.
Sei que a impaciência que cerca suas horas não deveria, culminar no meu “boa noite” e em respostas ríspidas, mas eu te entendo... Amor não é entender o outro?
Entendo que, como disse antes,  a caminhada pode cansar e  nesses passos que a gente vem dando junto houve percalços, tropeços e quedas, mas a gente sempre teve um ao outro , na hora que um encara o chão de perto e tenta esconder a vergonha, o outro sempre estava pronto a estender a mão, a dar ajuda...
Mas se me ouve, aí de longe onde você está entenda:
Já se faz outono por esses lados, tem folhas no chão por onde quer que eu olhe, tem em mim aquele calor morno no meu peito, quando lembro  seu sorriso, mas do nada se faz frio quando trago na minha memória o teu olhar.
Meu olhar permanece amarelo, como as folhas que caem ao chão, e inerte permanece como aquelas folhas até que  o vento possa levá-las, mas não há  a minha volta o sopro leve do seu sorriso pra me fazer voar.
Meu olhar se perde nessa janela em que me encosto, tomando seu chá predileto, perdido entre tantos pensamentos me pergunto se você vai voltar. E na espera dessa volta até rabisco versos:
“Volta, que o mundo à minha volta vive da esperança de você voltar
Volta a casa tá fria, já nem  tem  luz a casa, o quarto a sala, até a sala de jantar..
Volta que entre pulsos e silêncios ainda te desejo nesse lugar
Volta, que qualquer silêncio que você fez minha alma entende,
Volta que eu sei que no brilho da lua, há a confissão que meu olhar no seu se prende,
Volta, pois todo o amor que há em mim, quando você sorri  transcende”.
Nem entendo de solidão, pouco menos de  silêncios que perduram pra sempre, mas lembre-se, da angústia confessada, desse velho outono que vive fazendo morada em mim, porque, ora sou quente e sou frio, ora me perco no verde da esperança, ora sou amarelo como desespero de não saber de ti.
Ora sou o vento que vai pra longe,  ora sou o silêncio da madrugada, que vive da esperança de você voltar...
E se não voltas, se bates a porta e se vai, sempre haverá esse velho outono sobre mim...

Volta?

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