Era pra ser amor quando olhava a sua foto, e uma pequena
impaciência corroía o meu peito, devia ser amor, quando me pergunto milhares de
vezes durante as horas de um dia o que você está fazendo e o que pode te
afligir.
Devia ser amor, havia todos os indício, todas as pistas,
como um pensamento perdido na tua imagem, uma canção que sussurra seu nome.
Podia, definitivamente podia ser amor, no montante de frases
perdidas numa folha, num silêncio cortante que precede o momento em que você
aparece.
Era pra ser amor naquelas letras todas juntas que não fazem
sentido, mas resumem muita coisa pra quem sabe o que elas significam.
Era pra ser amor quando a atenção deveria ser recíproca, mútua
e sem regras. Sem silêncios demorados, sem a mágica que se perde nos espaços,
em que não se encontram os abraços.
Devia ser amor, mas a ilusão se espreita nas frestas da
nossa felicidade, e vai tomando conta, e de tantos momentos mudos, chegamos a perguntar “ como
isso pode ser amor, se mais nos contorcemos em dúvidas do que sorrimos?”
Podia mesmo, mas o que o coração inventa a razão desmascara com a crueldade de sonhos
não vividos, de noites que não vão chegar, de juras que não vão se cumprir.
Mas foi amor, é amor, e por um tempo continuará, não é
porque só um sente que não é amor né?
Podia ser amor, devia ser amor...





