Eu, que inventei o amor há tantos anos, hoje me pego de
frente a um espelho cheio de ilusão revelando aquilo, que NUNCA podia ser, a
mais pura ilusão...
Eu, por culpa própria inventei um universo que não podia
existir, onde pequenos detalhes revelaram a minha falha... ACREDITAR.
Eu que diante desses milhares de versos que se guardam pra
nunca sair, diante de todos os silêncios que se possam fazer, só o som do meu coração que se parte é audível e ecoa nas
paredes do meu quarto...
Eu, que inventei o amor à minha própria moda me perco
naquelas canções que dizem que tudo se acaba, olho o tempo e ele não passa,
olho a vida e ela não anda...
Eu, que jurei em algum segundo sentir mais que a mim mesmo e
senti... Mas o espelho revela o que você sente, deve guardar pra si mesmo.
Eu, que pelo excesso de zelo de cuidado e de amor, me
despeço como se o erro foi meu, coloco versos tristes em uma folha e admito:
não era pra ser.
Me despeço, com o
velho sentimento daqueles que têm seu corações partidos: dá-se mais do que
realmente recebe, ouve se mais do que se é ouvido, e num momento onde tudo
acaba...
Eu, que inventei o amor, presto as minhas condolências ao
sentimento que termina por partir, diante de um olhar frio que revela a verdade
numa frase perdida em ignorância: “ estou mentindo?”.
Eu, somente eu que inventei o amor, à minha moda, e vi só o
que tinha que ver, me perdi em tudo o que não deveria falar mas falei, escrevi
tudo o que não era pra ser escrito e escrevi...
Eu, que inventei o amor acordo do sonho e vejo... muitas
coisas se findam a todo tempo,mas eu não pude ver... Eu que inventei o amor, talvez
amei demais que só amou a si mesmo...”





